por Caroline Fontes do Nascimento
O mês da mulher já está acabando, mas decidi guardar só pra essa semana a minha homenagem, falando sobre o que eu acho a maior ignorância e injustiça histórica cometida pelos brasileiros.
Dona Maria Leopoldina Josefa Carolina de Habsburg, nascida em 22 de janeiro de 1797, filha do imperador da Áustria, Francisco I e Maria Teresa da Sicília, foi a 1ª esposa de D. Pedro I. Muitas pessoas só conhecem a esposa dedicada e abertamente traída pelo imperador preguiçoso e mulherengo, que lambia os pés da Marquesa de Santos. Porém, D. Leopoldina foi muito mais !
Uma mulher extremamente inteligente, grande incentivadora da cultura, que amou o Brasil e o adotou como sua terra, lutando pelos brasileiros como poucos. Se esforçava sempre pra agradar D. Pedro I, a quem amava muito e o auxiliava em questões políticas, (tendo até escrito alguns de seus discursos) devido a educação medíocre que ele recebeu.
Em agosto de 1822, Pedro de Alcântara, então príncipe-regente, precisou viajar a São Paulo, deixando D. Leopoldina como chefe interina. A regente recebeu cartas informando que Portugal preparava ações contra o Brasil e, sem poder esperar a volta do esposo, a princesa reuniu-se na manhã de 2 de setembro de 1822 com o Conselho de Estado, para assinar o decreto de independência separando o Brasil de Portugal.
D. Pedro I recebeu uma carta de D.Leopoldina exigindo que ele proclamasse a independência (já que na verdade ele não poderia anular a assinatura da regente) no dia 7 de setembro de 1822, às margens do rio Ipiranga (SP). E, as palavras da depois coroada imperatriz se cumpriram: ninguém iria lembrar que a independência só foi possível graças a uma mulher estrangeira que morreu aos 29 anos espancada pelo marido.
Aí eu fico pensando na imagem do início do texto, será que algumas mulheres morreram queimadas em fábricas para que outras andem de coleiras?



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